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Um louvor aos professores do nosso país

O coronavírus revelou na nossa sociedade a extrema relevância do papel do professor, tantas vezes questionado no passado por pais e encarregados de educação. A principal lição desta pandemia é que, mesmo com as escolas fechadas, a Educação não está suspensa e o papel dos professores tem sido central neste delicado momento que atravessamos.
Em apenas três dias, os professores tiveram de se adaptar a novas formas de ensinar. Para muitos deles, dada a sua idade, as plataformas digitais eram ainda, compreensivamente, um terreno desconhecido.
Há um voluntarismo louvável nos professores, que se desdobram e se reinventam para que os conteúdos programados sejam cumpridos e para que o ambiente de sala de aula seja o mais natural possível. É certo que não podemos exigir que, no final do ano letivo, a planificação esteja cumprida na íntegra, pois o processo de aprendizagem é bem diferente. E compreende-se. Desde logo, porque o ambiente do ‘online’ não é igual ao da sala de aula. Os professores perdem largas dezenas de minutos a verificar se todos os alunos estão on-line e, destes, se todos estão em condições de ouvir. Quando tudo está ok, é o sistema que colapsa, devido ao acesso simultâneo de milhares de alunos e professores. O stress instala-se para o professor, para o aluno que perdeu o acesso à web e para os restantes colegas, que têm de aguardar o restabelecimento da ligação. Enquanto isso, a aula chega ao fim, com meia dúzia de palavras trocadas e muitos poucos conteúdos lecionados.
Não se julgue que é fácil ensinar à distância e nestas condições. Além disto, os professores estão muito mais expostos, porque toda a família tem a possibilidade indevida de espreitar a aula. Há ainda casos noticiados de professores que tentam dar aulas com os filhos ao lado e, muitos deles, também em videoconferência.
É, por tudo isto, e por muito mais, que aqui quero deixar o louvor aos professores do nosso país. Tenho dois filhos em idade escolar, já fui docente, e pelo que tenho testemunhado, a lição é em grande parte para a sociedade, que estava habituada a entregar os filhos à escola, a exigir avaliações a condizer com a imagem perfeita das estatísticas e a confundir educação com formação.
Também é certo que, da parte dos pais, sobretudo os que estão em teletrabalho, esta fase tem revelado alguns desafios complicados. E o problema agrava-se quanto maior for o número de filhos. Há casos em que, naturalmente, os computadores da família e o espaço da casa não chegam para todos: para os pais que estão em teletrabalho e para os filhos em aulas digitais.
Para os alunos, também não se pense que e fácil. Há quem considere que assistir às aulas em pijama e no conforto de sua casa, é a maior conquista desta pandemia. Porém, o ensino à distância exige dos alunos muita disciplina, autonomia, organização e motivação. Além disso, o facto de estarem permanentemente a olhar para o ecrã do computador gera uma maior dificuldade de concentração e exige um esforço acrescido, que nem todos estão preparados para ultrapassar.
E a agravar todo este processo, temos a falta de sociabilização entre alunos, colegas, funcionários e professores. É certo que mundo não será o que era dantes, que a escola não voltará a ser o que foi e que a sociedade jamais regressará ao seu passado recente.
Há uma lição extra a retirar de tudo isto: nunca é tarde para aprender! E, nesta pandemia, todos temos aprendido: professores, pais e alunos. E assim, continuaremos!

 

Carlos Alberto Cardoso

Fonte: https://correiodominho.pt/cronicas/um-louvor-aos-professores

 

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