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Gonçalo Xufre, no III webinar do Fórum FNE 2020: PISA para as Escolas visa melhorar a aprendizagem e bem-estar dos alunos

O terceiro webinar do Fórum FNE 2020 decorreu em 12 de novembro, com foco no “ Projeto PISA para as Escolas”, da OCDE, que é um instrumento para melhorar o desempenho nos resultados de aprendizagem de alunos, aplicável a uma escola, agrupamento ou um município, e que teve como orador convidado o Professor Doutor Gonçalo Xufre, coordenador do projeto em Portugal, e a moderação de Manuel Teodósio (Presidente da UGT Viseu e Presidente em exercício do SPZCentro) e de Joaquim Messias (Secretário-Nacional da FNE e Coordenador distrital e membro da Direção do SPZCentro).

Gonçalo Xufre começou por apresentar algumas dinâmicas e objetivos que distinguem o projeto global do PISA e o seu derivado “PISA para as Escolas”, começando por referir que o PISA global visa aferir a aplicação das competências desenvolvidas pelos alunos no capítulo da leitura, da matemática e da ciência, tendo sido aplicado desde 2000, de três em três anos, abrangendo 600 mil alunos de 15 anos, de 79 países e economias.

O orador frisou que o PISA global “produz rankings que são mediáticos e que torna o projeto quase num campeonato, o que para mim limita a leitura do verdadeiro potencial que tem. No fundo, acaba por validar políticas educativas que podem não ser as mais adequadas, o que pode vir a ter um impacto negativo nos alunos”. Isto é, “o programa nasceu para apoiar e dar aos governos instrumentos para políticas educativa e para ajudar a melhorar o sucesso educativo dos alunos, mas não nos podemos esquecer que a educação é um sistema dinâmico, que vai criando soluções dentro do seu próprio sistema”.

Mas entrando numa comparação direta entre os dois projetos, Gonçalo Xufre nota que, na sua base, o PISA global mostra o desempenho educativo de um país, ao passo que o “PISA para Escolas”, criado em 2012, revela o desempenho de uma escola, agrupamento ou autarquia, podendo ser aplicado todos os anos e utilizado para elaborar relatórios regionais ou de redes de escolas.

De acordo com Gonçalo Xufre, o “PISA para as Escolas pretende medir níveis de aprendizagem, ouvir os alunos e caracterizar escolas. Para isto é necessário visualizar dados, analisá-los e partilhar práticas e soluções de forma a estabelecer redes colaborativas. Este projeto suporta-se numa avaliação comparativa internacional, baseada numa escala comum fornecida pelo Programa PISA da OCDE”.

O orador convidado deste webinar considerou que “para nós a voz do aluno é o meio mais rico para se tirar conclusões. Depois da recolha da informação é necessário cruzar os dados relativos a competências cognitivas e ao seu envolvimento na aprendizagem, para retirarmos resultados que, como se compreende, nunca podem ser desagregados do contexto sociocultural em que a escola está integrada”.

Nesta sequência, as escolas ou as autarquias recebem um relatório com uma estrutura que abrange as perspetivas sobre as competências sócio-emocionais dos alunos que, acima de tudo, “não servem para construir rankings. Esta informação é feita para levar à análise, reflexão, e discussão dentro das escolas, sobre como é possível melhorar o desempenho nos resultados de aprendizagem e bem-estar dos alunos”.

Fotografia de escola e fotografia territorial

A ação do “PISA para as Escolas” passa também por um projeto próximo com municípios. Este é um projeto piloto da OCDE que visa a conceção, construção e dinamização de um “Colaboratório de Investigação”, ou seja, de capacitação das escolas para a melhoria dos resultados de aprendizagem dos alunos em Portugal, tendo por base a linguagem das competências definida pelo PISA global da OCDE. Segundo Gonçalo Xufre, o objetivo passa por “criar uma rede onde cada ator tenha uma fotografia da sua atividade”, através da capacitação dos professores, líderes escolares e coordenadores nacionais ou regionais.”

São realizados questionários digitais aos alunos e também às Escolas, e posteriormente é efetuado o tratamento de dados e fornecido o respetivo relatório por cada instituição. Desta forma, cada Escola dispõe de um relatório com a análise de dados referentes apenas aos seus alunos, ou seja a sua fotografia de escola. O produto final para um município ou para uma comunidade intermunicipal é a sua fotografia regional, territorial. E o que ficou desde logo neste projeto assente é que os municípios não têm acesso às fotografias das escolas. Para o orador, “as escolas têm autonomia para fazer o que quiserem com os seus resultados e procurar as soluções que melhor lhes caiba, podendo em último caso até deixar o relatório na gaveta”.
No atual momento, quatro municípios (Amadora, Arouca, Barcelos e Braga) e quatro comunidades intermunicipais (Ave, Médio Tejo, Viseu Dão Lafões e Terras de Trás-Os-Montes) integram o estudo piloto da OCDE em Portugal, que já implementaram no anterior ano letivo.

Antes do período reservado a questões dos participantes, o moderador Manuel Teodósio, deixou algumas ideias que considerou essenciais para se compreender o peso que o PISA tem na educação. Primeiro que tudo pela sua dimensão, pois acontece em ligação com 79 países e economias. Depois pela confirmação da evolução positiva de Portugal, entre 2000 e 2012, situação que o moderador aproveitou para elogiar o contributo determinante dos professores para esses resultados. Em seguida, pelo facto de o Programa PISA ter como objetivo o sucesso dos alunos e dos sistemas educativos e ser transversal a docentes e não docentes, criando condições para que tal aconteça. E por último pela capacidade de análise das características sócio-emocionais dos alunos.

O moderador Joaquim Messias lançou, por sua vez, para o debate algumas questões colocadas pelos participantes. A este propósito, Gonçalo Xufre aproveitou para reforçar a questão da participação exata dos municípios no programa, o que passa “por uma postura colaborativa entre escolas e municípios. São atores interessados num bom produto final. Mas não podemos esquecer que os municípios nunca têm a fotografia final. Apenas a escola a tem e só ela sabe o que fazer com isso”, seguindo depois para resposta a uma pergunta sobre o possível desfasamento provocado pelos rankings, ao que respondeu: “Neste projeto não vão existir rankings nem listas. E a comunicação social é aqui um adversário. As realidades são diferentes. Um agrupamento de 12 escolas da Amadora não tem as mesmas características que um agrupamento em Trás-os-Montes. Há muitas variáveis a ter em conta e essa informação tem de constar nos relatórios”.

Questionado sobre as razões para uma diminuição do desempenho cognitivo dos alunos portugueses no PISA desde 2015, Gonçalo Xufre afirmou que “a ideia é ir medindo as mudanças ocorridas. Portugal teve uma estabilização. Começou por ter preocupações com os níveis cognitivos, arranjou soluções e estabilizou. Talvez essa estabilidade nos resultados seja uma das razões”.

Quanto aos custos de admissão e participação no diagnóstico, custos operacionais, o orador convidado do Fórum FNE 2020 sublinhou que eles eram públicos: num município de pelo menos dois, três, agrupamentos, os custos são de dois mil euros por cada escola, mais cinco mil euros pelo relatório territorial. Para uma escola individual os custos sobem para 3 500 euros. “Depois”, nota Gonçalo Xufre, “poderá ou não haver os custos de elaboração de redes de aprendizagem colaborativa, algo que poderemos vir a construir numa fase posterior”.

Em jeito de conclusão, o orador convidado deste webinar sublinhou que o Projeto “PISA para as Escolas” não foi desenhado para obter resultados individuais de alunos ou para construir rankings de escolas. Ele assenta, por lado inverso, numa lógica de comunidade, onde existirão oportunidades de partilha de práticas e trabalho colaborativo entre os Agrupamentos de Escolas, tendo em vista a promoção do sucesso das políticas educativas locais e a qualidade das aprendizagens dos alunos.

Pode saber mais sobre o programa em https://www.pisaparaasescolas.pt/pisa-e/

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