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85 % dos professores nunca tiveram qualquer treino vocal

SPZN apresenta resultados da Campanha Defende a Tua Voz

 

A prevalência de problemas de voz entre professores é elevada. Esta é a consideração final mais relevante dos resultados preliminares do rastreio de voz a 325 professores, educadores e formadores em estabelecimentos de toda a zona norte do país, levados a cabo durante a Campanha Defende a Tua Voz, do Centro de Formação Profissional do SPZN – Sindicato de Professores da Zona Norte, e divulgados este fim-de-semana, no Debate Defende a Tua Voz, que decorreu no auditório do Porto deste sindicato.

 

A campanha à qual aderiram professores, educadores e formadores do pré-escolar ao ensino superior, teve a colaboração técnica da Felicity – Terapias de Reabilitação, do Voz e Nós e contou ainda com a colaboração científica do Laboratório de Voz, da Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto – ESTSP, pertencente ao Instituto Politécnico desta cidade. Os três grandes objetivos desta iniciativa foram avaliar a prevalência de problemas de voz nos professores, descrever fatores associados à sua saúde vocal e contribuir para o processo de triagem dos rastreios da campanha.

 

Outras considerações finais da campanha têm que ver com o facto do impacto profissional dos problemas da voz parecer ser subvalorizado, a formação em voz e treino vocal ser reduzida, as estratégias de adaptação da voz serem fisiologicamente desadequadas, além do número de casos prioritários ter oscilado entre os cinco e os dez por cento de participantes – referiu na apresentação de resultados André Araújo, docente da ESTSP.

 

Uma percentagem de 85 % dos professores que responderam a este rastreio de voz nunca tiveram qualquer treino vocal durante o seu percurso profissional, 75 % trabalharam na educação nos últimos 12 meses, 82 % eram do sexo feminino e 18 % do sexo masculino.

 

Quanto à frequência de problemas de voz, as maiores percentagens notaram-se uma vez por mês, três vezes por ano e uma vez por semana, respetivamente, enquanto no grau de problema de voz (limitação profissional), verificou-se uma prevalência de perturbação vocal profissional à volta de 37 % – ligeira em primeiro lugar e moderada, em segundo. Apenas um caso considerado grave foi detetado neste estudo patrocinado pelo SPZN.

 

Nos sintomas relatados pelos professores na sua vida profissional contam-se a voz cansada, rouquidão e aspereza, falhas de voz, comichão na garganta, dor na garganta, aperto ou pressão, garganta seca ou perda de controlo de voz.

 

No respeitante a patologias / condições médicas as que tiveram maior expressão foram as alergias, azia / refluxo gastroesofágico, sinusite, rinite, desvio do septo nasal, problemas depressivos, problemas hormonais, laringite e asma.

 

Durante a sua apresentação, André Araújo mencionou também vários projetos existentes sobre os problemas de voz dos professores, nomeadamente o seu impacto económico, avaliado numa quantia superior a 4 500 milhões de euros.

 

Num estudo de 2012, que envolveu um questionário a 279 profissionais da educação em Portugal, verificou-se que a maioria dos professores tem uma voz pior no final do dia de trabalho, 26 % faltaram por problemas de voz um a dois dias por ano, 82 % foram trabalhar, mesmo com problemas limitantes e apenas 32 % procurou tratamento médico.

cartaz_web_vozDo programa fez ainda parte a apresentação da Ação de Formação Voz e Comunicação na Docência – Técnicas de prevenção e otimização dos recursos vocais e comunicativos, feita por Pedro Barreiros, Diretor do Centro de Formação Profissional do SPZN.

Presidiram ao Debate a Presidente do SPZN, Lucinda Manuela Dâmaso, Regina Silva, Vice Presidente para a área da investigação da ESTSP – IPP e Elisabete Pinto, Diretora Geral da Felicity e do Voz e Nós. Do futuro desta parceria constam a organização de novas campanhas, a realização de avaliações dos professores no Laboratório de Voz, o tratamento exaustivo dos dados da Campanha, além da análise acústica dos rastreios e a avaliação longitudinal dos resultados das formações.

A Campanha Defende A Tua Voz decorreu em escolas dos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia, Santa Maria de Lamas, Chaves, Bragança, Vieira do Minho, Cucujães e Viana do Castelo, entre os dias 20 e 31 de outubro.

 

 

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